Olhos que foram olhos

 

 

 

Da nuvem fez-se encanto

de puro enlace envolvente
Olhos que foram olhos ardentes
a perderem-se, ladeados, tanto

Da nuvem fez-se encanto

de puro enlace envolvente
Olhos que foram olhos ardentes
a perderem-se, ladeados, tanto

Por esses corredores mergulhados
à saciedade. Vividos e torpes
olhos que foram olhos abandonados
à maré sacudidos, procela da noite

Parva angústia aproximou-se
obscura, soturna num lampejo
como um badalo que abalou-se
frente ao tempo, um tropeço.

Viu-se pela greta a voz suave
que amável sussurrou serena
o insuspeito tom mais grave:
“olhos que foram olhos apenas”!

Perdido a dentro em contusão
brindou a lágrima à derradeira
alma quebrada em solidão
própria, vil, odiosa e forasteira

Então: viram-se jogados ao solo:
os olhos que nunca foram olhos
nadando em perspectiva, assombrados
e para a corrente do não consolo
pela torrente firme eram levados

Afundaram-se para sempre em lama
como quem verdadeiramente ama
e, já como um, na argila ancorou
e jaz frio, para sempre calado,
junto ao lírio que desabrochou.

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